Ciclo de trabalho da máquina de solda: o que é e como comparar

O que é o ciclo de trabalho da máquina de solda?
É a porcentagem de uma janela de 10 minutos em que a máquina consegue soldar numa certa corrente antes de precisar esfriar. A Miller Electric resume a conta: divida a porcentagem por 10 e você tem os minutos de arco aberto. O resto da janela é o tempo de descanso.
O número sempre vem amarrado a uma corrente. Por isso a mesma máquina tem vários ciclos na ficha. A ESAB Rogue LHN ES 205i DV, por exemplo, publica para o eletrodo em 220 V:
- 160 A a 30%: 3 minutos soldando e 7 parada.
- 88 A a 100%: solda sem parar nessa corrente.
Quanto menor a corrente, maior o tempo de solda. A Miller explica que corrente alta esquenta mais a máquina e encurta o ciclo, e que chapa fina, que pede menos corrente, deixa a máquina trabalhar mais tempo.
Como fazer a conta dos minutos?
A conta é a mesma para qualquer marca, desde que a ficha use a janela de 10 minutos. O manual da Vonder RIV 168 usa essa janela, e a Miller também. A tabela converte as porcentagens mais comuns nas fichas:
| Critério | Soldando | Esfriando |
|---|---|---|
| 15% | 1 min 30 s | 8 min 30 s |
| 20% | 2 min | 8 min |
| 30% | 3 min | 7 min |
| 35% | 3 min 30 s | 6 min 30 s |
| 40% | 4 min | 6 min |
| 60% | 6 min | 4 min |
| 100% | Sem parar | Sem pausa |
No exemplo da Miller, uma máquina com 30% a 215 A opera 3 minutos seguidos e depois precisa de 7 minutos para esfriar. Para cordão longo e contínuo, a Miller recomenda uma máquina com ciclo maior na corrente que o serviço pede.
Por que comparar a corrente a 100%?
Porque o número grande da caixa, como "200 A", quase sempre vem com o ciclo mais curto. Duas máquinas com a mesma corrente máxima podem aguentar serviço contínuo de forma bem diferente. Veja três fichas de fabricante, todas em 220 V:
| Critério | Máxima | Sem parar (100%) | Processo da tabela |
|---|---|---|---|
| ESAB Rustler EM 215i | 200 A a 20% | 90 A | MIG/MAG |
| Boxer Quadmax 215 BV | 200 A a 35% | 118 A | MIG/MAG |
| ESAB Rogue LHN ES 205i DV | 160 A a 30% | 88 A | Eletrodo |
| Vonder RIV 168 | 160 A a 40% | 100 A | Eletrodo |
| ESAB Bantam MIG | 130 A a 20% | 59 A | Arame sem gás e eletrodo |
A Rustler EM 215i e a Quadmax 215 BV chegam aos mesmos 200 A, mas pela ficha a Quadmax segura 118 A sem parar, contra 90 A da Rustler. Na outra ponta, a Bantam MIG foi feita para serviço leve com arame tubular, e o ciclo dela mostra isso.
O ciclo não é o único critério. A Miller lembra que uma máquina com ciclo acima do necessário pode ser investimento demais. A escolha começa pela corrente que o seu serviço pede, e o guia de como regular a máquina de solda inversora mostra como chegar nela pela espessura da chapa e pelo diâmetro do eletrodo ou do arame.
O ciclo de trabalho muda na tomada de 127 V?
Muda, e a ficha das bivolt traz uma tabela para cada tensão. A Miller explica que a rede limita o que a máquina consegue entregar. Nas fichas:
- ESAB Rogue LHN ES 205i DV: 160 A a 30% e 88 A a 100% em 220 V; 110 A a 35% e 65 A a 100% em 127 V.
- Boxer Quadmax 215 BV (MIG): 200 A a 35% e 118 A a 100% em 220 V; 140 A a 30% e 85 A a 100% em 127 V.
- ESAB Bantam MIG: 130 A a 20% e 59 A a 100% em 220 V; 100 A a 20% e 45 A a 100% em 110 V.
A instalação pesa tanto quanto a tensão. A ficha da ES 205i recomenda disjuntor de 40 A em 127 V e de 32 A em 220 V, e o manual da Vonder RIV 168 pede rede exclusiva e extensão de no máximo 30 m. Quem só tem 127 V deve fazer a conta com a tabela de 127 V, não com a de 220 V.
O ciclo é igual no eletrodo, na MIG e no TIG?
Depende da máquina. Na ESAB Rustler EM 215i, a ficha traz os mesmos valores de corrente para MIG/MAG e eletrodo: 200 A a 20%, 116 A a 60% e 90 A a 100%. Na ES 205i, o TIG repete as correntes do eletrodo, com tensão de arco menor.
Já a Boxer Quadmax 215 BV publica uma tabela por processo. Em 220 V, o MIG chega a 118 A a 100% e o eletrodo e o TIG a 110 A. Em 127 V, a diferença cresce: 85 A sem parar no MIG e 60 A no eletrodo. Por isso vale ler a tabela do processo que você vai usar, e não a primeira da ficha.
Quanto de ciclo de trabalho eu preciso?
Comece pela corrente do seu serviço mais comum, como recomenda a Miller. Pela ficha da ESAB, o eletrodo E6013 OK 46.00 de 2,5 mm trabalha de 60 a 100 A, e o de 3,2 mm de 80 a 150 A. Daí:
- Serviço de casa com eletrodo de 2,5 mm: uma máquina que segura perto de 90 a 100 A a 100% em 220 V solda a faixa toda sem parar.
- Eletrodo de 3,2 mm ou 3,25 mm: olhe a corrente a 60%. Acima dela, conte com pausas.
- MIG em chapa fina: a Miller lembra que chapa fina pede menos corrente, o que estica o ciclo. Ele pesa mais em chapa grossa e arame de 1,0 mm.
- Serviço o dia todo: procure a maior corrente a 100% que o orçamento permite, em 220 V.
Para comparar máquinas reais pelo ciclo, veja as listas das melhores máquinas de solda inversora e das melhores máquinas de solda MIG.
O que acontece quando passa do ciclo de trabalho?
A proteção térmica desliga a saída até a máquina esfriar. A Miller explica que essa proteção monitora a temperatura e corta a máquina quando ela esquenta demais, o que interrompe o cordão e pode gerar defeito na solda. O manual da Vonder RIV 168 mostra o aviso F01 no visor e pede para deixar a máquina ligada, sem soldar, para o ventilador baixar a temperatura.
É o ventilador que baixa a temperatura, por isso o manual pede para não desligar a máquina nessa hora. A Miller também alerta que passar do ciclo com frequência encurta a vida dos componentes internos.
Três cuidados ajudam a máquina a entregar o ciclo da ficha:
- Entradas de ar livres e máquina limpa, como recomenda a Miller. O manual da Vonder pede 50 cm de folga da parede.
- Temperatura de ensaio. A ficha da ESAB Bantam MIG informa que o ciclo foi medido a 40 °C, e o número publicado vale para essa condição.
- Rede adequada. Tensão baixa por fio fino ou extensão longa derruba a máquina antes do calor; o guia sobre o que é a máquina de solda inversora explica por que ela é sensível à rede.
Para ver como o ciclo pesa numa máquina específica, a análise da ESAB Rogue LHN ES 205i DV e a da Vonder RIV 168 comparam as duas pelas fichas.
Perguntas frequentes?
O que significa 160 A a 30% na máquina de solda?
Significa que, numa janela de 10 minutos, a máquina solda 3 minutos seguidos a 160 A e precisa de 7 minutos para esfriar. A Miller explica a conta assim, dividindo a porcentagem por 10. Com corrente menor, o tempo de solda aumenta.
Qual ciclo de trabalho é bom para uma inversora de uso em casa?
Para eletrodo de 2,5 mm, que trabalha perto de 60 a 100 A nas fichas da ESAB, uma máquina que segura perto de 90 a 100 A a 100% em 220 V solda sem parar toda a faixa. Para serviço longo com eletrodo de 3,25 mm ou arame de 1,0 mm, vale procurar mais corrente a 60% e a 100%.
Por que a minha inversora desliga sozinha no meio do cordão?
Na maioria dos casos é a proteção térmica, que desliga a máquina quando ela passa do ciclo de trabalho. O manual da Vonder RIV 168, por exemplo, mostra o aviso F01 e pede para deixar a máquina ligada, sem soldar, para o ventilador esfriar. Rede fraca e extensão fina também derrubam a máquina.
O ciclo de trabalho é o mesmo em 127 V e em 220 V?
Não. Nas bivolt, a ficha traz uma tabela para cada tensão. A ESAB Rogue LHN ES 205i DV, por exemplo, segura 88 A sem parar em 220 V e 65 A em 127 V, e a corrente máxima cai de 160 A para 110 A.
O ciclo de trabalho muda com o calor do ambiente?
O valor publicado vale para a condição de ensaio. A ficha da ESAB Bantam MIG informa que o ciclo foi medido a 40 °C. A Miller recomenda manter a máquina limpa e as entradas de ar livres, porque o sistema de refrigeração influi no tempo de solda.
Fontes?
- Miller Electric, Duty Cycle, What It Is and Why It's Important
- ESAB, ficha técnica Rogue LHN ES 205i DV (PT-BR, Rev0 03/2025)
- ESAB, ficha técnica Bantam MIG (PT-BR, rev01, 05/2025)
- ESAB, ficha técnica Rustler EM 215i (PT-BR)
- Boxer Soldas, Máquina de Solda Quadmax 215 BV
- ESAB, OK 46.00 (E6013), ficha do produto
- Vonder, Manual de Instruções do Inversor para Solda RIV 168 e RIV 228
O que significa 160 A a 30% na máquina de solda?
Significa que, numa janela de 10 minutos, a máquina solda 3 minutos seguidos a 160 A e precisa de 7 minutos para esfriar. A Miller explica a conta assim, dividindo a porcentagem por 10. Com corrente menor, o tempo de solda aumenta.
Qual ciclo de trabalho é bom para uma inversora de uso em casa?
Para eletrodo de 2,5 mm, que trabalha perto de 60 a 100 A nas fichas da ESAB, uma máquina que segura perto de 90 a 100 A a 100% em 220 V solda sem parar toda a faixa. Para serviço longo com eletrodo de 3,25 mm ou arame de 1,0 mm, vale procurar mais corrente a 60% e a 100%.
Por que a minha inversora desliga sozinha no meio do cordão?
Na maioria dos casos é a proteção térmica, que desliga a máquina quando ela passa do ciclo de trabalho. O manual da Vonder RIV 168, por exemplo, mostra o aviso F01 e pede para deixar a máquina ligada, sem soldar, para o ventilador esfriar. Rede fraca e extensão fina também derrubam a máquina.
O ciclo de trabalho é o mesmo em 127 V e em 220 V?
Não. Nas bivolt, a ficha traz uma tabela para cada tensão. A ESAB Rogue LHN ES 205i DV, por exemplo, segura 88 A sem parar em 220 V e 65 A em 127 V, e a corrente máxima cai de 160 A para 110 A.
O ciclo de trabalho muda com o calor do ambiente?
O valor publicado vale para a condição de ensaio. A ficha da ESAB Bantam MIG informa que o ciclo foi medido a 40 °C. A Miller recomenda manter a máquina limpa e as entradas de ar livres, porque o sistema de refrigeração influi no tempo de solda.
Referências
- Miller Electric, Duty Cycle, What It Is and Why It's Important
- ESAB, ficha técnica Rogue LHN ES 205i DV (PT-BR, Rev0 03/2025)
- ESAB, ficha técnica Bantam MIG (PT-BR, rev01, 05/2025)
- ESAB, ficha técnica Rustler EM 215i (PT-BR)
- Boxer Soldas, Máquina de Solda Quadmax 215 BV
- ESAB, OK 46.00 (E6013), ficha do produto
- Vonder, Manual de Instruções do Inversor para Solda RIV 168 e RIV 228



