Qual inversora usar para aço, galvanizado, alumínio e inox

Amostras de aço carbono, inox, alumínio e aço galvanizado sobre uma bancada, com duas máquinas de solda inversoras ao fundo.

Qual inversora usar para cada material?

O metal decide o processo, e o processo decide a máquina. A tabela resume o caminho indicado para os quatro metais mais comuns na oficina, com base nas orientações da Miller Electric, da ESAB e da American Galvanizers Association (AGA):

Material × processo × arame ou vareta × gás
CritérioProcesso indicadoArame, vareta ou eletrodoGás de proteção
Aço carbonoEletrodo revestido, MIG, arame tubular ou TIG DCER70S-6 (MIG), E6013 ou E7018 (eletrodo), ER70S-2 (TIG)75% argônio e 25% CO₂ na MIG; argônio puro no TIG
Aço galvanizadoMIG ou eletrodo revestido, com o zinco removido da área da soldaOs mesmos do aço carbonoArgônio com CO₂ na MIG
AlumínioTIG AC ou MIG com spool gun ou push-pull, de preferência pulsadoER4043 ou ER5356Argônio puro
InoxTIG DC ou MIGER308L no inox 304; 316L no inox 316LArgônio puro no TIG; menos de 5% de CO₂ na MIG

A escolha do arame e do gás de cada metal está detalhada no guia sobre como escolher o arame da máquina inversora, e as diferenças entre eletrodo, MIG, TIG e multiprocesso no guia dos tipos de máquina de solda inversora.

Qual inversora usar para aço carbono?

O aço carbono é o metal mais fácil de soldar e aceita todos os processos da inversora. A escolha depende mais da espessura e do tipo de serviço do que do metal:

  • Eletrodo revestido (MMA): a inversora mais simples e barata. Solda chapa a partir de cerca de 2 mm, funciona ao ar livre e com vento, e aceita peça com um pouco de ferrugem. Os eletrodos mais comuns são o E6013 e o E7018.
  • MIG com gás: mais rápida e mais limpa, sem escória. A Miller indica o arame ER70S-6, que molha bem a poça, com a mistura de 75% de argônio e 25% de CO₂, que dá menos respingo que o CO₂ puro, e polaridade positiva no arame.
  • Arame tubular sem gás: a mesma máquina MIG, sem cilindro, para serviço externo. Põe mais calor na peça, e a Miller não recomenda o tubular em chapa fina.
  • TIG DC: o acabamento mais limpo e o maior controle, mas o mais lento. A ESAB indica corrente contínua com o eletrodo de tungstênio no negativo para aço, com vareta ER70S-2 e argônio puro.

Em chapa fina de carroceria, a Miller recomenda o menor diâmetro de arame possível e nunca um arame mais grosso que a chapa. A corrente para cada espessura está no guia sobre como regular a máquina de solda inversora.

Como soldar aço galvanizado com segurança?

O aço galvanizado é aço carbono coberto por uma camada de zinco. A máquina é a mesma do aço carbono; o que muda é o cuidado com o zinco, que ferve no calor do arco e vira fumo de óxido de zinco.

A OSHA, agência de segurança do trabalho dos Estados Unidos, trata o problema em detalhe:

  • Febre dos fumos metálicos: também chamada de febre do zinco, tem sintomas parecidos com os de gripe, como febre, náusea e tosse, que duram cerca de 24 horas.
  • Cádmio: chapa com revestimento de cádmio é mais perigosa. A OSHA alerta que ela pode causar intoxicação aguda sem sintomas de aviso, além de doença pulmonar.
  • Ventilação mecânica: a norma da OSHA exige exaustão quando há menos de 10.000 pés cúbicos de espaço por soldador (cerca de 280 m³) ou pé-direito abaixo de 16 pés (cerca de 4,9 m), o que inclui praticamente toda garagem e oficina pequena.
  • Respirador com ar: onde a ventilação não basta para evitar a exposição, a OSHA exige respirador de linha de ar ou máscara com mangueira.

A AGA, associação americana de galvanizadores, explica a preparação e a técnica:

  • Tirar o zinco: a norma AWS D19.0 pede solda em área sem zinco. A AGA indica remover o revestimento de 2,5 a 10 cm de cada lado da solda, nos dois lados da peça, de preferência com esmerilhadeira. Isso melhora a solda e reduz o fumo.
  • Mais devagar na MIG: a velocidade de solda é menor no galvanizado, para dar tempo de o zinco queimar na frente da poça.
  • Penetração menor: no topo a topo, a folga entre as peças deve ser maior.
  • Gás: o respingo aumenta com CO₂ puro. A mistura de argônio e CO₂, com mais calor e menos velocidade, dá arco mais estável e cordão mais liso. Um produto antirrespingo à base de silicone, petróleo ou grafite, passado antes de soldar, facilita limpar o respingo.
  • Eletrodo revestido: avançar mais devagar, com movimento de chicote para frente e para trás na poça, arco curto e sem tecer.

O zinco removido deixa o aço sem proteção contra ferrugem na região da solda. Depois de soldar, a área exposta precisa de uma nova proteção, como tinta rica em zinco.

Qual inversora solda alumínio?

O alumínio pede equipamento próprio, por três motivos que a Miller e a ESAB explicam: a camada de óxido na superfície, a alta condutividade de calor e o arame mole demais para o alimentador comum. Há dois caminhos:

  • TIG AC/DC: a ESAB explica que a corrente alternada alterna a limpeza da camada de óxido com a penetração, e por isso é o padrão para alumínio. A TIG só DC não serve. O gás é argônio puro. Para chapa fina de alumínio, a Miller recomenda uma fonte inversora, que permite usar tungstênio ceriado apontado, com mais controle do arco que o tungstênio puro com ponta arredondada das máquinas antigas.
  • MIG com spool gun ou push-pull: a spool gun leva um carretel pequeno, de cerca de meio quilo, na própria tocha. Segundo a Miller, o arame anda só alguns centímetros até a poça, o que evita o arame embolado no rolete. A push-pull tem um motor na tocha que puxa o arame e serve para quem gasta muito arame por dia.

A Miller faz quatro alertas para o alumínio na MIG:

  • Sem curto-circuito: a transferência por curto-circuito, a mais comum nas inversoras MIG de entrada, não é recomendada no alumínio. A fusão fica quase impossível de acertar e a solda tende a trincar. O indicado é a transferência por spray ou o MIG pulsado, que controla melhor o calor em chapa fina.
  • Tensão de entrada: a Miller recomenda máquina ligada em 230 V para alumínio. Nas de 115 V, falta energia para vencer a condutividade e a camada de óxido, e a fusão sai ruim.
  • Arame: o ER4043 é o mais fácil de soldar, porque funde mais devagar e tem silício, que ajuda a controlar a poça. O ER5356 dá solda mais resistente e mais protegida contra corrosão, mas funde mais rápido e exige mais prática. O diâmetro mais usado é 0,8 ou 0,9 mm.
  • Armazenamento: o arame de alumínio oxida no ar, e o arame oxidado deixa o arco irregular. A embalagem só deve ser aberta na hora de usar.

Antes de soldar, a camada de óxido precisa ser removida com escova de aço inox usada só no alumínio, como explica o guia sobre como escolher o arame da máquina inversora.

Qual inversora solda inox?

O inox solda em TIG DC ou em MIG, com arame e gás diferentes dos do aço carbono. O cuidado principal é o calor: a Miller explica que o inox é mais sensível ao calor que o aço carbono, e calor demais por tempo demais faz o metal perder a resistência à corrosão e oxidar o lado de trás da solda.

  • TIG DC: a ESAB indica corrente contínua com o tungstênio no negativo, argônio puro e vareta ER308L para o inox comum. O TIG pulsado reduz o calor e é, segundo a ESAB, ideal para inox fino.
  • MIG: a Miller indica gás com menos de 5% de CO₂, para não acrescentar carbono à solda. A mistura tripla de argônio, hélio e CO₂ é a mais usada, com mais hélio na MIG convencional e mais argônio na pulsada. A mistura de 98% de argônio e 2% de CO₂ também funciona.
  • Arame: para o inox 304, os arames ER308, ER308L e ER308LSi servem; para o inox 316L, o arame precisa ser 316L, segundo a Miller.

A Miller acrescenta alguns cuidados que valem para a MIG no inox:

  • Ferramentas próprias: escova e disco usados só no inox. Ferramenta que já passou em aço carbono contamina a peça.
  • Conduíte e roletes próprios: separados dos do aço carbono, com rolete recartilhado em V, porque o arame de inox é mais duro.
  • Técnica: empurrar a tocha, manter boa velocidade e evitar tecer o cordão, que concentra calor.
  • Pós-gás: segurar a tocha no fim do cordão de meio segundo a três segundos, para o gás proteger a poça enquanto ela solidifica.

Como escolher a máquina pelo material?

A máquina certa é a que solda o metal mais exigente do serviço. Quem trabalha só com aço não precisa pagar por recursos de alumínio; quem pretende soldar alumínio precisa conferir esses recursos antes de comprar:

Indicação de máquina por material
CritérioMáquina indicadaO que conferir na ficha técnica
Só aço carbonoInversora de eletrodo revestido ou MIGCorrente máxima e ciclo de trabalho na corrente de uso
Aço galvanizadoA mesma do aço carbonoUso com exaustão local; MIG com gás de argônio e CO₂
AlumínioTIG AC/DC ou MIG com spool gun ou push-pullSaída AC no TIG; conexão de spool gun e MIG pulsado na MIG; entrada em 220 V
InoxTIG DC ou MIGAbertura do arco por alta frequência ou lift arc, que não contamina o tungstênio, e TIG pulsado; pós-gás regulável
Vários metaisMultiprocesso com TIG AC/DC ou com spool gunQuais processos e metais a ficha cobre de fato

A multiprocesso parece a resposta para todos os metais, mas a maioria faz TIG só em corrente contínua, como mostra o guia dos tipos de máquina de solda inversora. Para alumínio, a ficha precisa dizer TIG AC/DC ou trazer a conexão de spool gun. A comparação das máquinas à venda, com os recursos de cada uma, está em melhores máquinas de solda inversora. O funcionamento da inversora está explicado no guia sobre o que é máquina de solda inversora.

Perguntas frequentes?

Qualquer inversora solda aço carbono?

Solda. O aço carbono é o metal mais fácil de soldar e aceita eletrodo revestido, MIG com gás, arame tubular sem gás e TIG DC. A inversora de eletrodo resolve a maior parte dos serviços; a MIG é mais rápida em chapa fina e em serviço repetido.

Soldar galvanizado faz mal à saúde?

O zinco do galvanizado vira fumo de óxido de zinco no calor do arco. Segundo a OSHA, esse fumo é a causa mais comum da febre dos fumos metálicos, com febre, náusea e tosse por cerca de 24 horas. Tirar o zinco da área da solda e usar exaustão e respirador reduz o risco.

Dá para soldar alumínio com inversora MIG comum?

Não do jeito que ela vem. O arame de alumínio é mole e embola no alimentador comum, e a Miller não recomenda a transferência por curto-circuito no alumínio, porque a fusão fica ruim. O caminho é uma MIG com spool gun ou push-pull, de preferência com pulsado, ou uma TIG AC/DC.

Máquina TIG DC solda alumínio?

Não é o indicado. A ESAB explica que o alumínio pede corrente alternada, que alterna a limpeza da camada de óxido com a penetração. A TIG DC solda aço carbono e inox, e só a TIG AC/DC solda alumínio de forma prática.

Qual arame usar para soldar inox 304?

Para o inox 304, a Miller indica os arames ER308, ER308L ou ER308LSi; para o inox 316L, o arame 316L. O gás deve ter menos de 5% de CO₂, como a mistura de 98% de argônio e 2% de CO₂. A mistura 75/25 do aço carbono não serve para inox.

Fontes?

Qualquer inversora solda aço carbono?

Solda. O aço carbono é o metal mais fácil de soldar e aceita eletrodo revestido, MIG com gás, arame tubular sem gás e TIG DC. A inversora de eletrodo resolve a maior parte dos serviços; a MIG é mais rápida em chapa fina e em serviço repetido.

Soldar galvanizado faz mal à saúde?

O zinco do galvanizado vira fumo de óxido de zinco no calor do arco. Segundo a OSHA, esse fumo é a causa mais comum da febre dos fumos metálicos, com febre, náusea e tosse por cerca de 24 horas. Tirar o zinco da área da solda e usar exaustão e respirador reduz o risco.

Dá para soldar alumínio com inversora MIG comum?

Não do jeito que ela vem. O arame de alumínio é mole e embola no alimentador comum, e a Miller não recomenda a transferência por curto-circuito no alumínio, porque a fusão fica ruim. O caminho é uma MIG com spool gun ou push-pull, de preferência com pulsado, ou uma TIG AC/DC.

Máquina TIG DC solda alumínio?

Não é o indicado. A ESAB explica que o alumínio pede corrente alternada, que alterna a limpeza da camada de óxido com a penetração. A TIG DC solda aço carbono e inox, e só a TIG AC/DC solda alumínio de forma prática.

Qual arame usar para soldar inox 304?

Para o inox 304, a Miller indica os arames ER308, ER308L ou ER308LSi; para o inox 316L, o arame 316L. O gás deve ter menos de 5% de CO₂, como a mistura de 98% de argônio e 2% de CO₂. A mistura 75/25 do aço carbono não serve para inox.

Referências

  1. OSHA, Shipbuilding and Ship Repair, Respiratory Irritation and Systemic Poisoning
  2. American Galvanizers Association, Welding Galvanized Steel
  3. Miller Electric, MIG Aluminum DIY, Selecting the Right Welder, Spool Gun and Filler Wire
  4. Miller Electric, MIG Welding Aluminum, Important Questions and Best Practices
  5. Miller Electric, Want To Improve Results When MIG Welding Stainless Steel
  6. Miller Electric, Successfully Welding Sheet Metal with MIG and TIG
  7. ESAB, TIG Welding Guide, Process, Equipment and Best Practices