Como regular a máquina de solda inversora

Máquina de solda inversora com visor em 120 A e mão com luva ajustando o botão de corrente em uma bancada de oficina.

Como regular a máquina de solda inversora?

A regulagem começa pela espessura da peça, porque é ela que define quanta corrente a solda precisa. A Miller usa uma regra de partida simples: 1 ampere para cada milésimo de polegada de espessura. Convertida para milímetro, a regra dá cerca de 40 A por milímetro de aço carbono:

  • Chapa de 1 mm: cerca de 40 A.
  • Chapa de 2 mm: cerca de 80 A.
  • Chapa de 3 mm: cerca de 120 A.
  • Chapa de 5 mm: cerca de 200 A, o que já passa do limite de muitas inversoras portáteis em um passe só.

O número é um ponto de partida, não a regulagem final. A tabela colada na tampa do alimentador ou no manual da máquina traz os valores para aquele equipamento, e o teste numa sobra da mesma chapa confirma o ajuste. A Miller define o cordão bem regulado como o que tem boa penetração, perfil plano, largura certa e boa ligação nas bordas.

Como regular a corrente, a tensão e a velocidade do arame na MIG?

Na inversora MIG de tensão constante, quem define a corrente é a velocidade do arame, e não um botão de amperes. A ESAB explica a divisão de tarefas:

  • Velocidade do arame: mais arame por minuto significa mais corrente, mais calor e mais material depositado. É o ajuste principal da penetração.
  • Tensão: controla o comprimento do arco. Tensão maior dá arco mais longo e cordão mais largo e plano; tensão menor dá arco mais curto e cordão mais estreito e alto.

A Miller converte a corrente em velocidade do arame com um fator para cada diâmetro, em polegadas por minuto para cada ampere. Convertido para metro por minuto, fica assim:

Espessura × corrente × velocidade do arame (MIG, aço carbono, ponto de partida)
CritérioCorrente de partidaArame 0,8 mmArame 0,9 mmArame 1,2 mm
1 mmCerca de 40 A2,0 m/minAbaixo da faixa (50 A)Abaixo da faixa (75 A)
2 mmCerca de 80 A4,1 m/min3,3 m/minNo limite de baixo (75 A)
3 mmCerca de 120 A6,1 m/min4,9 m/min3,0 m/min
5 mmCerca de 200 AAcima da faixa (145 A)Acima da faixa (180 A)5,0 m/min

A tabela foi calculada com a regra e os fatores publicados pela Miller (2 pol/min por ampere no arame de 0,030 pol, 1,6 no de 0,035 pol e 1 no de 0,045 pol), com os diâmetros arredondados para 0,8, 0,9 e 1,2 mm. As faixas entre parênteses são os limites de corrente de cada diâmetro, também da Miller. O arame de 0,6 mm, para chapa abaixo de 1 mm, usa fator de 3,5: a 40 A, cerca de 3,6 m/min. A escolha do arame para cada espessura está no guia sobre como escolher o arame da máquina inversora.

A tensão não entra na tabela porque muda com a máquina, o gás e o diâmetro do arame. Ela é acertada depois da velocidade do arame, pelo som e pelo cordão. A ESAB descreve o arco curto bem regulado como um chiado rápido e contínuo. Estalos fortes indicam tensão baixa ou arame rápido demais; arame batendo na peça sem fundir indica tensão baixa. A Miller completa: se o arame bate na peça, subir a tensão; se o arco fica instável e queima perto do bico, baixar.

Nas máquinas sinérgicas, a velocidade do arame é o único ajuste principal e a máquina escolhe a tensão sozinha. Um ajuste fino de tensão corrige a forma do cordão. Algumas inversoras também têm controle de dinâmica do arco (indutância), que a ESAB descreve numa escala de −9 a +9: valores baixos deixam o arco mais macio e com menos respingo, bom para chapa fina; valores altos aumentam a penetração.

Como regular a corrente no eletrodo revestido?

No eletrodo revestido a máquina trabalha em corrente constante, e o ajuste é a amperagem. A faixa certa vem da caixa do eletrodo. As fichas da ESAB trazem as faixas dos dois eletrodos mais comuns:

Diâmetro do eletrodo × faixa de corrente (fichas da ESAB)
CritérioE6013 (OK 46.00)E7018 (OK 48.00)
2,0 mm50 a 80 A55 a 90 A
2,5 mm60 a 100 A70 a 110 A
3,2 mm80 a 150 A90 a 140 A
4,0 mm100 a 230 A120 a 190 A

A Miller sugere começar perto de 1 ampere por milésimo de polegada do diâmetro do eletrodo, o que dá cerca de 100 A no 2,5 mm e 125 A no 3,2 mm, e ajustar de 5 em 5 ou de 10 em 10 A até o cordão sair certo. Na vertical subindo, a ESAB indica cerca de 10% menos corrente que na posição plana; sobre a cabeça, a Miller indica cerca de 15% menos.

A técnica também faz parte da regulagem:

  • Comprimento do arco: no máximo igual ao diâmetro da alma do eletrodo, segundo a Miller. Um eletrodo de 3,2 mm fica a cerca de 3 mm da peça.
  • Ângulo: a ESAB indica o eletrodo inclinado de 5 a 15 graus para trás, arrastando, na posição plana. Acima de 20 graus a penetração cai e o respingo aumenta.
  • Velocidade: o arco fica no terço da frente da poça, segundo a Miller.

Qual polaridade usar em cada processo?

A polaridade define para onde vai a maior parte do calor, e a errada estraga a solda mesmo com corrente e tensão certas:

  • MIG com arame sólido e gás: arame no positivo (DC+). A ESAB explica que essa polaridade dá mais penetração e cordão melhor.
  • Arame tubular sem gás: arame no negativo (DC−) na maioria dos arames autoprotegidos. A ESAB alerta que a polaridade errada no tubular causa muito respingo, porosidade e falta de fusão que nenhum outro ajuste corrige.
  • Eletrodo E6013: a ficha do OK 46.00 aceita corrente alternada e contínua nas duas polaridades.
  • Eletrodo E7018: a ficha do OK 48.00 indica DC+, com DC− como alternativa.
  • TIG em aço e inox: tocha no negativo (DC−). O alumínio pede TIG AC, como mostra o guia dos tipos de máquina de solda inversora.

Na inversora, trocar a polaridade é inverter os cabos nos bornes da frente, ou o cabo curto da tocha MIG dentro do compartimento do arame. O manual mostra a ligação de cada processo. A Miller lembra que no eletrodo o DC+ penetra cerca de 10% mais que a corrente alternada na mesma amperagem, e que o DC− é melhor para chapa fina.

O que é ciclo de trabalho e como ele limita a regulagem?

O ciclo de trabalho é a porcentagem de uma janela de 10 minutos em que a máquina solda sem parar numa certa corrente. A Miller dá o exemplo de uma máquina com 30% a 215 A: ela solda 3 minutos seguidos nessa corrente e precisa de cerca de 7 minutos para esfriar.

Três pontos pesam na hora de regular:

  • Corrente maior, ciclo menor: quanto mais alta a corrente, mais calor dentro da máquina e menor o tempo de solda contínuo. A mesma máquina solda por mais tempo numa corrente menor.
  • Proteção térmica: quando o ciclo passa do limite, a proteção desliga a máquina até ela esfriar. Abusar disso desgasta os componentes internos, segundo a Miller.
  • Tabela do manual: o manual traz um gráfico de ciclo de trabalho por corrente. Basta achar a corrente usada e ler a porcentagem correspondente.

Para quem solda chapa grossa por muito tempo, o ciclo de trabalho na corrente de uso pesa mais que a corrente máxima da máquina. A comparação das máquinas à venda, com o ciclo de trabalho de cada uma, está em melhores máquinas de solda inversora.

Como diagnosticar a regulagem pelo cordão de solda?

O cordão mostra qual ajuste está fora. A Miller relaciona cada aparência a uma causa provável, e a regra vale para MIG e, em boa parte, para eletrodo:

Aparência do cordão × causa provável × o que ajustar
CritérioCausa provávelO que ajustar
Cordão alto, redondo, com muito respingo e bordas mal ligadasTensão baixa (MIG)Subir a tensão aos poucos
Arco instável, penetração irregular, arame queimando perto do bicoTensão alta (MIG)Baixar a tensão
Cordão estreito e alto, com bordas mal ligadasVelocidade do arame ou corrente baixa, ou avanço rápido demaisSubir o arame ou a corrente, ou avançar mais devagar
Cordão largo demais, furando a chapa, com muito respingoVelocidade do arame ou corrente alta, ou avanço lento demaisBaixar o arame ou a corrente, ou avançar mais rápido
Furos (poros) na superfície e dentro do cordãoFalta de gás ou gás insuficienteConferir cilindro, vazão, mangueira e bocal
Eletrodo grudando na peça ao abrir o arcoCorrente baixa ou arco curto demais (eletrodo)Subir a corrente de 5 em 5 A
Eletrodo em brasa, poça mole demais e mordedura nas bordasCorrente alta (eletrodo)Baixar a corrente

A Miller também aponta a falta de fusão como o defeito mais ligado a poça fria ou regulagem errada. O arco deve ficar na frente da poça, que ganha forma de gota. Quando a montagem tem folga grande, a tendência é compensar com mais calor e mais arame, e a chapa fura; a Miller indica baixar a velocidade do arame para esfriar a poça. Problemas de alimentação, como bico de contato de diâmetro errado, conduíte sujo ou pressão errada no rolete, também deixam o cordão irregular mesmo com a regulagem certa.

Qual é o passo a passo para regular a inversora MIG?

A ESAB recomenda uma ordem fixa, mudando um ajuste por vez e observando o resultado antes do próximo:

  1. Arame: escolher o tipo e o diâmetro pelo metal e pela espessura.
  2. Gás e vazão: escolher o gás pelo arame e regular a vazão em 10 a 12 L/min. Com vento leve ou porosidade, subir até 15 L/min, nunca mais que isso, porque a vazão alta puxa ar para dentro da poça.
  3. Polaridade: ligar a tocha conforme o arame (DC+ no sólido, DC− na maioria dos tubulares sem gás).
  4. Velocidade do arame: ajustar pela espessura, o que define a corrente.
  5. Tensão: ajustar até o arco chiar de forma contínua e o cordão sair plano.
  6. Comprimento livre do arame (stickout): manter de 10 a 12 mm com arame de 0,8 mm, segundo a ESAB. Arame para fora demais reduz a corrente e a proteção do gás; para dentro demais suja o bocal.
  7. Teste: soldar numa sobra da mesma chapa, na mesma posição, e corrigir pelo cordão.

No eletrodo revestido o roteiro é mais curto: escolher o eletrodo e o diâmetro, ligar a polaridade da ficha, começar no meio da faixa da caixa e ajustar de 5 em 5 A na sobra de chapa. As diferenças entre a inversora e a máquina transformadora estão no guia sobre a diferença entre máquina de solda e inversora, e os cuidados de cada metal no guia sobre qual inversora usar para aço, galvanizado, alumínio e inox.

Perguntas frequentes?

Quantos amperes usar para cada espessura de chapa?

A regra de partida da Miller é 1 ampere para cada milésimo de polegada de espessura, o que dá cerca de 40 A por milímetro de aço carbono. Chapa de 2 mm começa perto de 80 A e chapa de 3 mm perto de 120 A. O teste numa sobra da mesma chapa confirma o ajuste.

Na MIG, o que regula a corrente, a tensão ou o arame?

Na inversora MIG de tensão constante, a velocidade do arame define a corrente. A tensão define o comprimento do arco e a forma do cordão. Por isso a ESAB manda acertar primeiro a velocidade do arame pela espessura e depois a tensão pelo som do arco e pelo formato do cordão.

Como saber se a tensão está alta ou baixa na MIG?

Com tensão baixa, o arame bate na peça sem fundir direito, o arco estoura e o cordão sai alto e redondo, com muito respingo. Com tensão alta, o arco fica longo e instável e queima perto do bico. O arco certo faz um chiado rápido e contínuo, segundo a ESAB.

Qual amperagem usar no eletrodo 2,5 mm e 3,2 mm?

Pelas fichas da ESAB, o eletrodo E6013 OK 46.00 trabalha de 60 a 100 A no 2,5 mm e de 80 a 150 A no 3,2 mm. O E7018 OK 48.00 trabalha de 70 a 110 A no 2,5 mm e de 90 a 140 A no 3,2 mm. A faixa impressa na caixa do eletrodo vale sobre qualquer tabela genérica.

O que significa ciclo de trabalho de 30% a 200 A?

Significa que, numa janela de 10 minutos, a máquina solda 3 minutos seguidos a 200 A e precisa de 7 minutos para esfriar. Com corrente menor, o tempo de solda aumenta. Se o ciclo passar do limite, a proteção térmica desliga a máquina até ela esfriar.

Fontes?

Quantos amperes usar para cada espessura de chapa?

A regra de partida da Miller é 1 ampere para cada milésimo de polegada de espessura, o que dá cerca de 40 A por milímetro de aço carbono. Chapa de 2 mm começa perto de 80 A e chapa de 3 mm perto de 120 A. O teste numa sobra da mesma chapa confirma o ajuste.

Na MIG, o que regula a corrente, a tensão ou o arame?

Na inversora MIG de tensão constante, a velocidade do arame define a corrente. A tensão define o comprimento do arco e a forma do cordão. Por isso a ESAB manda acertar primeiro a velocidade do arame pela espessura e depois a tensão pelo som do arco e pelo formato do cordão.

Como saber se a tensão está alta ou baixa na MIG?

Com tensão baixa, o arame bate na peça sem fundir direito, o arco estoura e o cordão sai alto e redondo, com muito respingo. Com tensão alta, o arco fica longo e instável e queima perto do bico. O arco certo faz um chiado rápido e contínuo, segundo a ESAB.

Qual amperagem usar no eletrodo 2,5 mm e 3,2 mm?

Pelas fichas da ESAB, o eletrodo E6013 OK 46.00 trabalha de 60 a 100 A no 2,5 mm e de 80 a 150 A no 3,2 mm. O E7018 OK 48.00 trabalha de 70 a 110 A no 2,5 mm e de 90 a 140 A no 3,2 mm. A faixa impressa na caixa do eletrodo vale sobre qualquer tabela genérica.

O que significa ciclo de trabalho de 30% a 200 A?

Significa que, numa janela de 10 minutos, a máquina solda 3 minutos seguidos a 200 A e precisa de 7 minutos para esfriar. Com corrente menor, o tempo de solda aumenta. Se o ciclo passar do limite, a proteção térmica desliga a máquina até ela esfriar.

Referências

  1. Miller Electric, MIG Welding, Setting the Correct Parameters
  2. ESAB, MIG Welding Machine Settings, Voltage, Wire Feed, Gas and Stickout
  3. Miller Electric, Five Steps to Improving Your Stick Welding Technique
  4. ESAB, The Art and Science of Stick Electrode Angle Control
  5. ESAB, OK 46.00 (E6013), ficha do produto
  6. ESAB, OK 48.00 (E7018), ficha do produto
  7. Miller Electric, Duty Cycle, What It Is and Why It's Important
  8. Miller Electric, Reduce Weld Rework With These Tips